Quando ganhar eleição custa caro demais

Quando ganhar eleição custa caro demais

Quando as regras são tratadas com desleixo, a conta chega – em forma de processos, instabilidade jurídica e insegurança institucional. E quem paga a conta não é o candidato, é a cidade inteira!

Ganhar uma eleição é um feito importante. Contudo, ganhar do jeito certo é essencial. Quando o caminho até o poder envolve métodos duvidosos, atalhos não usuais ou excesso de confiança nas redes sociais, o problema não termina no dia da votação. Pelo contrário! Ele começa depois. Nessa linha, Barueri vive hoje esse efeito colateral: uma cidade considerada grande, bem complexa e recheada de desafios funcionando em clima de incerteza, como quem dirige uma carro esportivo com o freio de mão puxado.

A eleição suplementar que está em evidência não surgiu do nada – nem caiu do céu. Ela é resultado de escolhas políticas que ignoraram algo bem básico: a eleição não é só disputa de narrativa, é também um processo legal. Dessa forma, quando as regras são tratadas com desleixo, a conta chega – em forma de dezenas de processos, instabilidade jurídica e, principalmente, insegurança institucional. E quem paga essa conta não é o candidato, é a cidade inteira!

Na prática, isso se traduz em uma gestão cautelosa demais, quase imóvel. Decisões importantes são adiadas, projetos ficam em banho-maria por tempos e a administração pública entra no chamado “modo defensivo”. Não porque falte dinheiro (a capacidade técnica por vezes também falta), mas porque falta segurança. E governar sob suspeita permanente não é governar; é administrar riscos jurídicos. É o famoso apagar incêndios diários e fazer uma gestão pública olhando sempre no retrovisor (sempre reativa), nunca para o caminho à frente (proativa).

Enquanto isso, o cidadão segue sua rotina normalmente: pega um ônibus ruim mais caro, enfrenta serviços públicos com qualidade duvidosa ou faltante e observa a cidade andando em marcha lenta. Pouco se explica, quase nada se debate na cidade do silêncio. A instabilidade generalizada vira pano de fundo, quando na verdade ela afeta diretamente o dia a dia de quem mora aqui.

E o mais curioso é que tudo isso poderia ser evitado. Democracia, nesse sentido, não é só vencer – é sustentar a vitória. Respeitar as regras do jogo protege não apenas as instituições, mas a própria cidade. Quando se tenta ganhar no grito, no impulso do momento (nesse caso no impulsionamento) ou no limite da legalidade, o resultado pode até aparecer no curto prazo, mas cobra juros extremamente altos depois.

Talvez o momento que Barueri vive sirva de lição para todos. Eleições precisam ser limpas, claras e responsáveis, porque seus efeitos não acabam na urna. E a cidade não pode viver em compasso de espera. Estabilidade política não é luxo institucional: é condição básica para que as coisas andem. E para que o futuro não fique sempre prometido para depois.

E fim de papo.