Em Barueri, o futuro “chegou”. Veio de ônibus – mais caro

Em Barueri, o futuro “chegou”. Veio de ônibus – mais caro

Barueri é uma cidade curiosa. Cresce rápido, bate recordes de arrecadação, anuncia modernidade em letras garrafais – mas, algumas vezes, parece tropeçar nos seus próprios slogans. Atualmente, às vésperas de uma eleição suplementar, motivada por um processo que envolve o uso abusivo das redes sociais, nós moradores somos convidados a refletir sobre o futuro da cidade; e nada melhor do que fazer isso olhando para o presente com um leve sorriso irônico no rosto, porque chorar já não resolve mais…

Enfim, estamos falando de uma cidade que se orgulha de ser, aos olhos da gestão pública, com os adjetivos “tecnológica, inovadora e eficiente”, mas que conseguiu surpreender seus moradores no ano passado com um aumento significativo no valor da passagem de ônibus de forma supreendentemente rápida. Foi quase um experimento social: testar até onde vai a paciência do cidadão que acorda cedo, trabalha longe e ainda precisa agradecer por ter ônibus defasados e uma das passagens mais caras do país. Tudo isso aconteceu sem nenhum tipo de debate público, porque, convenhamos, quem precisa discutir quando se pode simplesmente reajustar na calada da noite?

Enquanto isso, o cenário político entra em modo “replay” na cidade. Nova eleição à vista, novos discursos e…velhas promessas – agora com mais cuidado na postagem, mais atenção aos impulsionamentos nas redes sociais e, quem sabe, um curso rápido sobre o que pode ou não pode fazer no Instagram. Não é exatamente uma revolução democrática – longe disso aqui no feudo barueriense – mas já é um lembrete: a política digital também tem regras, mesmo quando alguns fingem ou insistem que não (ou sabem e agem errado de propósito).

O curioso é que, em meio a todos esses desafios sociais, o debate sobre o futuro de Barueri segue raso – muito raso, por sinal. Fala-se pouco sobre mobilidade urbana, quase nada sobre planejamento de longo prazo e muito sobre marketing – esse sim, o tempo todo! Parece que a cidade virou um grande outdoor, onde a imagem importa mais do que o conteúdo – até o dia em que o boleto chega, a passagem sobe e o cidadão percebe que não dá para pagar propaganda com discurso: “Nota 10” para o quesito competência em gestão pública.

Talvez esta eleição suplementar seja uma oportunidade disfarçada – daquelas bem raras por sinal. Não para trocar apenas nomes, mas para trocar prioridades. Para perguntar, sem medo de parecer inconveniente (ou ser perseguido, como em alguns relatos): para quem Barueri está ficando mais cara? Para quem ela está ficando melhor? E por que as decisões que afetam diretamente o bolso das pessoas continuam sendo tratadas como detalhes técnicos, quando são, na verdade, escolhas políticas?

O futuro da cidade não se constrói com posts bem editados, vídeos bem feitos, equipes custosas de marketing e, muito menos, com frases prontas sobre progresso. Ele se constrói com diálogo real, decisões transparentes e respeito merecido ao cidadão comum – aquele que pega ônibus, o que paga imposto (e bastante, por sinal) e ainda acredita que dá para viver melhor aqui. Barueri merece mais do que surpresas ou slogans fortes. Merece explicações, participação e, quem sabe, um pouco menos de marketing e um pouco mais de verdade no trato da coisa pública.

E fim de papo.