Barueri no modo espera

Barueri no modo espera

Governar em ambiente de instabilidade jurídica e política gera insegurança, e a insegurança gera imobilismo. Melhor não assinar, melhor não anunciar, melhor não mexer

Barueri é uma cidade grande demais para funcionar em ritmo de espera. Mas é exatamente essa a sensação nesse exato momento: tudo parece provisório, cauteloso, travado mesmo. Não falta dinheiro, não faltam servidores qualificados e não faltam problemas urgentes para resolver. Pelo contrário! Falta algo muito mais importante: decisão. A cidade entrou naquele modo estranho em que ninguém quer errar – e, para não errar, prefere não fazer. Nada.

A gestão pública municipal, quando perde ritmo, começa a viver de manutenção. Mantém o que já existe, repete discursos, empurra decisões para depois. Obras andam devagar, políticas públicas ficam no piloto automático e qualquer tema mais sensível vira “assunto para o momento oportuno” ou para “um futuro próximo”. O problema é que o momento oportuno nunca chega quando a cidade está paralisada pelo medo de decidir.

Essa letargia não acontece por acaso. Governar em ambiente de instabilidade jurídica e política gera insegurança, e a insegurança gera imobilismo. Melhor não assinar, melhor não anunciar, melhor não mexer. Só que cidade não funciona assim. Barueri não é um projeto experimental que pode ser pausado até a poeira baixar. É uma cidade viva, com gente que depende das decisões agora.

Enquanto isso, o cidadão percebe. Percebe que serviços não evoluem, que problemas conhecidos continuam sem resposta e que a cidade parece girar em falso. Tudo funciona – mas nada melhora. É o tipo de gestão que cansa mais do que a crise que está acontecendo, porque passa a sensação de um abandono silencioso, sem explicações e sem horizonte de melhora (pelo menos no curto e médio prazo).

O mais irônico é que a ausência de decisão é, também, uma decisão! Decidir não agir tem impacto, custo e consequência. E isso é bem sentido na cidade nesta data de hoje. Quando a gestão se acostuma a não enfrentar temas difíceis, a cidade perde tempo, perde oportunidades e perde confiança. E confiança, quando se perde, não se recupera com propaganda. E isso vem sendo muito custoso e difícil para alguns gestores mais decanos perceberem…

Barueri precisa voltar a andar. Não com pressa irresponsável, mas com clareza, coragem e compromisso público. Governar é escolher, explicar e assumir. A cidade não pode viver eternamente em modo espera. Porque, enquanto a gestão hesita, a vida segue – e o cidadão continua pagando a conta da indecisão e da letargia daqueles que acreditam ser gestores públicos…

E fim de papo.