Exposição de Tarsila do Amaral tem amplia horários de visitação ampliados

Exposição de Tarsila do Amaral tem horários de visitação ampliados

9 mil pessoas buscaram a exposição nas primeiras 48h após a abertura; mostra ganha horários extra aos sábados

Devido à alta procura do público, o Governo de São Paulo ampliou os horários de visitação da mostra inédita de Tarsila do Amaral no Palácio dos Bandeirantes. Foram abertas novas sessões às 11 horas nos sábados 29 de novembro, 13 e 20 de dezembro, além de 10 e 24 de janeiro de 2026. As vagas são limitadas e seguem mediante agendamento prévio no site do Acervo dos Palácios. A exposição é gratuita e fica em cartaz até 25 de janeiro de 2026.

É a primeira vez que a coleção completa da artista aos cuidados do Acervo dos Palácios, departamento museológico da Casa Civil, estará reunida na sede do Governo de SP. A mostra inédita é dedicada à importante trajetória da artista modernista, e conta com 16 obras icônicas expostas no Salão dos Pratos, importante sala de reuniões e exposições do Palácio dos Bandeirantes.

A iniciativa também integra as comemorações do aniversário de 40 anos do Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Estado de São Paulo, responsável pela gestão das coleções artísticas e históricas dos palácios governamentais.

 

Serviço

“São Paulo-Paris: A Descoberta de Tarsila do Amaral”

Curadoria: Rachel Vallego

De 06/11/2025 até 25/01/2026

Palácio dos Bandeirantes – avenida Morumbi, 4500

Entrada gratuita

Visitas:
Segunda a sexta: 10h às 16h (visitas individuais e para grupos)

Sábados: conferir disponibilidade de novos horários

Agendamento prévio com no mínimo 48 horas de antecedência.

Mais informações e reservas: www.acervo.sp.gov.br

 

Tarsila do Amaral no Palácio dos Bandeirantes: Arte, Modernismo e Identidade Brasileira

A presença das obras de Tarsila do Amaral no Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo do Estado de São Paulo, representa um dos encontros mais significativos entre política, cultura e identidade nacional. A artista, considerada um dos pilares do modernismo brasileiro, ganha destaque nos espaços do palácio não apenas pela força estética de suas obras, mas pela simbologia histórica que carregam.

A modernista que moldou o imaginário brasileiro

Tarsila do Amaral (1886–1973) foi uma das figuras centrais da Semana de Arte Moderna de 1922 e uma das maiores responsáveis pela consolidação de um movimento artístico autenticamente brasileiro. Seu trabalho busca a síntese entre vanguardas europeias — especialmente o cubismo e o surrealismo — e elementos culturais, sociais e paisagísticos do Brasil.

Obras como “Abaporu”, “A Negra”, “Antropofagia”, “Operários” e “E.F.C.B.” tornaram-se ícones incontornáveis da arte nacional.

O Palácio dos Bandeirantes como espaço de memória e cultura

Localizado no bairro do Morumbi, em São Paulo, o Palácio dos Bandeirantes não é apenas um edifício governamental. Ao longo dos anos, o palácio transformou-se também em um importante centro cultural, com um acervo artístico expressivo, formado por pinturas, esculturas, objetos históricos, mobiliário e documentação visual.

Entre os principais destaques desse acervo estão justamente as obras de Tarsila do Amaral, expostas em ambientes cuidadosamente preservados e abertos ao público por meio de visitas monitoradas.

As obras de Tarsila presentes no Palácio

O Palácio dos Bandeirantes abriga algumas das obras mais importantes de Tarsila, que compõem o acervo artístico do Governo do Estado. Essas obras ajudam a contextualizar diferentes fases da vida artística da pintora:

1. Fase Pau-Brasil

Marcada pelo colorido vibrante e pela busca de um Brasil idealizado, com paisagens, fauna e cotidiano interiorano.

2. Fase Antropofágica

O período mais conhecido de Tarsila, no qual o modernismo ganha uma identidade radicalmente brasileira. Nessa fase a artista dialoga com o Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade, incorporando símbolos nativos e reinterpretando a cultura do país.

3. Fase Social

Período mais crítico da artista, com obras que retratam desigualdade, trabalho e industrialização — como o icônico quadro “Operários”, muitas vezes exibido em mostras temporárias no palácio.

Cada tela exposta no Palácio dos Bandeirantes carrega consigo a capacidade de sintetizar as transformações políticas, sociais e culturais do Brasil, servindo tanto como documento histórico quanto como expressão estética.

A importância da exposição ao público

A decisão de expor obras de Tarsila no Palácio dos Bandeirantes cumpre um papel essencial: aproximar o público de um patrimônio artístico que pertence à sociedade. Por meio de visitas culturais, estudantes, pesquisadores, turistas e moradores da cidade têm a oportunidade de observar de perto telas que, de outro modo, estariam restritas apenas a museus ou coleções privadas.

Além disso, o diálogo entre as obras de Tarsila e o próprio edifício — cuja arquitetura e acervo também remetem à história do estado — cria uma narrativa que conecta passado, modernidade e gestão pública.

Tarsila e a identidade paulista

Embora a artista seja um ícone nacional, sua relação com São Paulo é particularmente intensa. A cidade foi palco de sua formação, seu convívio com o Grupo dos Cinco, suas trocas com intelectuais modernistas e parte significativa de sua produção.

Ao estar presente no Palácio dos Bandeirantes, Tarsila reforça o protagonismo de São Paulo na construção da arte moderna brasileira e reafirma a relevância da cultura como patrimônio público.

A exposição de Tarsila do Amaral no Palácio dos Bandeirantes vai além da mera exibição de obras. Ela representa:

  • um resgate da história modernista,

  • um patrimônio cultural acessível ao público,

  • um símbolo da identidade brasileira,

  • e um tributo à maior artista modernista do país.

Ao caminhar pelos salões do palácio e se deparar com as cores, formas e mensagens de Tarsila, o visitante não apenas aprecia arte — ele reencontra o Brasil em suas múltiplas camadas, contradições e belezas.