Em Barueri, parece que há um eterno “vale a pena ver de novo”, mas desafios hoje são outros, totalmente distintos e muito mais bem elaborados
Toda cidade madura precisa aprender uma lição básica: os ciclos acabam. Em Barueri, no entanto, parece que há um eterno “vale a pena ver de novo”. Afirmo isso porque há mais de quatro décadas os mesmos grupos orbitam o centro do poder, se revezam nos cargos e se apresentam como uma verdadeira “novidade” a cada eleição. O problema é que o mundo mudou, novos desafios surgiram e a cidade também mudou – só que o script continua o mesmo há décadas.
Ainda assim é preciso reconhecer: houve um tempo em que esse modelo retrógrado funcionou – uma estrutura básica, aliada à expansão urbana junto com o crescimento econômico. Fórmula perfeita nas décadas passadas. A cidade agradece a participação e os feitos. Mas governar em 2026 com mentalidade dos anos 90 é como tentar resolver o problema do trânsito com um mapa de papel. Os desafios hoje são outros, totalmente distintos e muito mais bem elaborados: mobilidade complexa, transparência digital, participação social, inovação administrativa, gestão de dados, sustentabilidade urbana. Coisas que já não fazem parte do repertório passado. Isso exige mais do que a experiência – exige atualização constante, estudo aprofundado e mais capacidade de enfrentamento. Não só um discurso vazio e palavras ao vento.
Um fato: o apego prolongado ao poder não gera estabilidade, gera somente acomodação. Cria os feudos políticos que vemos, as redes de dependência e uma lógica de “sempre foi assim” e que nada diferente pode ser feito. Quando o comando não se renova, a cidade para de experimentar, de ousar e de pensar um novo futuro. Continuam as “velhas fórmulas” que deram certo no século passado… O resultado? Uma gestão previsível, cansada e bem desconectada das novas demandas da população. E que, infelizmente, acredita que está no “Rumo Certo”…
E aqui vai a parte que muita gente pensa, mas poucos dizem, seja por medo ou alguma outra razão: talvez já esteja na hora de alguns figurões políticos trocarem o palanque e a multidão pelo aplicativo do INSS. Curtirem a aposentadoria, viajarem, aproveitarem a família, os netos e escreverem suas memórias em um livro. Nada contra descansar depois de décadas no poder! Pelo contrário – é um exercício totalmente saudável e que todos os políticos profissionais ao redor do mundo fazem algum dia. O problema, atualmente, é insistir em governar como se o tempo tivesse parado e achar que todos os cidadãos devem bater “continência” para seu histórico. Isso é ir contra o fluxo natural das coisas: início, meio e…fim.
Barueri não precisa mais dos seus antigos e tradicionais “donos da cidade”. Precisa de gestores públicos preparados, com visão contemporânea, capacidade técnica, uma equipe competente e compromisso real com o interesse coletivo – algo difícil de se ver atualmente. Barueri precisa de gente que queira trabalhar de verdade, enfrentar problemas difíceis e, mais do que nunca, dialogar com a população – não apenas repetir fórmulas gastas que já não entregam o resultado esperado.
Passar o bastão não é sinal de fraqueza. Pelo contrário: é sinal de maturidade política. Renovação não apaga o passado, mas abre espaço para um novo futuro. E Barueri merece sair da defasada política de sobrenomes conhecidos para entrar, finalmente, na era da política das ideias, dos projetos inovadores e da cidade viva que responde aos desafios atuais – sem os discursos de retrovisor.
E fim de papo.




































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