Barueri virou refém de sua própria crise política

Barueri virou refém de sua própria crise política

A cidade chega nesta sexta-feira talvez ao julgamento mais importante de sua história política recente: o TRE deve decidir no período da tarde, o futuro de um grupo político

Barueri chega nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, talvez ao julgamento mais importante de sua história política recente: o TRE deve decidir o futuro de um grupo político que domina a cidade há décadas e que agora vê a sua própria permanência no poder ameaçada por acusações envolvendo abuso dos meios de comunicação social e irregularidades eleitorais – que já se arrastam há mais de um ano.

O mais impressionante aqui não é apenas o tamanho da crise; é o fato de que ela era totalmente evitável. A insistência em empurrar a máquina política barueriense até o limite – utilizando estruturas de influência cada vez mais agressivas – produziu exatamente aquilo que todo grupo dominante teme: a própria instabilidade. Assim, viu o poder prolongado gerar um fenômeno perigoso – a sensação de invencibilidade! E quando isso acontece, as regras passam a ser vistas mais como obstáculos do que como limites da própria democracia.

Essa mesma decisão judicial recente mostra o tamanho do desgaste institucional na cidade: o processo menciona sucessivas decisões contraditórias, embargos, liminares e tentativas de suspensão dos efeitos do julgamento anterior, em um cenário que transformou a política municipal de Barueri em uma “novela jurídica” permanente. A cidade (que deveria estar discutindo mobilidade, crescimento urbano e qualidade de vida) passou meses discutindo recursos, cassação, inelegibilidade e calendário eleitoral. Tudo movido a um toque sutil de naftalina…

Nesses meses que se passaram, Barueri viveu um governo com dificuldade evidente de uma identidade própria. A atual gestão passou mais de um ano funcionando como “extensão administrativa” do ciclo anterior, mantendo praticamente intacta a estrutura política herdada. Agora, diante da possibilidade concreta de uma nova eleição, surgem trocas repentinas no secretariado, alguns movimentos internos e uma desastrosa tentativa acelerada de reorganizar a imagem pública do governo. O problema é que crise política não se resolve apenas com troca de nomes…

Se o TRE confirmar nesta sexta m novo cenário eleitoral, Barueri pode entrar já na próxima semana em uma das maiores reconfigurações políticas de sua história recente: uma nova eleição muda as alianças, desmonta as estruturas de poder, altera a relação da Câmara com o Executivo e abre um novo espaço para grupos políticos com mais vontade e capacidade surgirem. O problema é que tudo isso acontece em meio a uma cidade cansada, congestionada, com prédios em excesso, mais cara e com serviços que já vinham sofrendo desgaste antes mesmo dessa crise institucional explodir.

No fim das contas, talvez a única grande lição desse momento seja bem simples: nenhum grupo político é maior do que a cidade. Quando a manutenção do poder passar a ser prioridade absoluta, a própria estabilidade administrativa começa a ruir… E Barueri agora corre o risco real de pagar um preço alto por uma política que, durante muito tempo, acreditou que poderia funcionar sem freios, sem renovação e sem consequência. E fim de papo.