Da manutenção ao CCO o que mantém os trens das Linhas 8 e 9 em movimento
Centro de controle, inspeções, manutenção preventiva e tecnologia trabalham juntos para uma operação mais segura, confiável e preparada

Da manutenção ao CCO: o que mantém os trens das Linhas 8 e 9 em movimento

Para quem usa a Linha 8-Diamante em Barueri todos os dias, o trem faz parte da rotina. O que quase nunca aparece é a quantidade de gente, tecnologia e infraestrutura envolvida para que essa viagem aconteça.

Da manutenção ao CCO: o que mantém os trens das Linhas 8 e 9 em movimento

Boa parte desse trabalho passa pelo Centro de Controle Operacional, o CCO, instalado no Pátio Presidente Altino. É ali que profissionais acompanham em tempo real a circulação das Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, operadas e mantidas pela ViaMobilidade, integrante da Plataforma de Trilhos da Motiva.

Juntas, as duas linhas têm 78,9 quilômetros de extensão, 42 estações e atendem quase 900 mil clientes por dia.

Desde o início da concessão, a ViaMobilidade já investiu R$ 5 bilhões nas Linhas 8 e 9 e realizou cerca de 200 mil manutenções preventivas e programadas em 2026. Na média das duas linhas, 99 de cada 100 viagens programadas são realizadas.

A percepção dos clientes também mudou. Em pesquisa de satisfação, o atributo confiabilidade cresceu 13 pontos percentuais em relação ao início da concessão, resultado ligado à regularidade e à previsibilidade das viagens.

 

Um paredão de telas 

No CCO, os profissionais trabalham diante de painéis que mostram a posição dos trens, o sentido em que estão circulando, os intervalos e imagens das estações.

Tadeu Santos, Gerente de Operações, explica: “Nesses painéis, temos o controle de todos os trens e das estações. Conseguimos acompanhar onde está cada trem, em que sentido ele está indo e o que está acontecendo na operação.”

O monitoramento funciona 24 horas por dia. Se surge uma manutenção em algum trecho, um problema em uma composição ou uma estação com movimento acima do normal, o centro recebe informações das equipes e ajuda a definir os ajustes necessários.

“Ficamos 24 horas monitorando todos os trens, tomando as melhores decisões para minimizar qualquer impacto para o cliente”, afirma Tadeu.

Na prática, isso pode significar reorganizar a circulação ou adotar uma estratégia para atender melhor uma estação com maior concentração de clientes.

Mesmo com tanta tecnologia, Tadeu destaca um ponto menos visível: “A maior virtude são os profissionais qualificados e habilitados para tomar decisões seguras e precisas.”

 

Melhor prevenir do que remediar

Na ferrovia, o velho ditado vale literalmente. As manutenções preventivas e programadas existem para identificar desgaste, fazer ajustes e corrigir possíveis anormalidades antes que elas prejudiquem a circulação. Esse trabalho envolve equipes em campo, sensores, câmeras, drones e veículos especializados.

As Linhas 8 e 9 contam com 42 novos veículos de manutenção, e 100% da rede elétrica já passou por inspeção.

Magna Pinheiro é Operadora de Drones, e destaca como os drones mudaram parte dessa rotina: “A tecnologia vem avançando e melhorando a nossa forma de trabalhar. O drone ajuda a dar respostas mais rápidas, em tempo real.”

O recurso também é usado durante a noite. Segundo Kaio Paes, também Operador de Drones, o modo infravermelho permite captar calor e medir temperatura. “Se houver, por exemplo, um incêndio em via, conseguimos passar essa informação em tempo real para o Centro de Controle e apoiar a atuação das equipes.”

 

IA para encontrar sinais antes da falha

Desde 2025, as Linhas 8 e 9 contam com o PANDAS V, sistema que usa inteligência artificial para monitorar a interação entre o pantógrafo dos trens — equipamento que capta eletricidade — e os cabos da rede aérea.

A ferramenta analisa dados em tempo real, identifica padrões e sinaliza comportamentos fora do esperado. Com isso, inspeções da rede aérea que antes podiam levar até sete dias passaram a ser concluídas em poucas horas.

Outro avanço previsto é a implantação do ETCS, sistema de controle ferroviário que amplia a supervisão da circulação e integra o processo de modernização das duas linhas.

 

Trilhos, trens e energia também entram na conta

A operação depende ainda de uma infraestrutura que passa por renovação contínua.

Desde o início da concessão, mais de 60 quilômetros de trilhos foram substituídos, cerca de 120 quilômetros de vias foram revisados e aproximadamente 40 mil dormentes foram trocados. As Linhas 8 e 9 também receberam 36 novos trens.

Na parte elétrica, a Linha 9 está recebendo duas novas subestações, em Cidade Jardim e Socorro, que devem ampliar em 46% a capacidade energética da linha quando as obras forem concluídas. Os sistemas de energia receberam ainda R$ 190 milhões em investimentos de modernização.

Tudo isso acontece em pontos diferentes da operação, mas com a mesma lógica: acompanhar melhor, identificar problemas antes e responder mais rápido quando alguma coisa sai do previsto.

Para quem pega o trem em Barueri todos os dias, o mais importante é bem mais simples: conseguir embarcar, seguir o caminho e chegar onde precisa.